domingo, 3 de julho de 2016

Chega de Terrorismo Nutricional, Chega de Contar Calorias...

Resolvi escrever esse post porque amanhã é segunda-feira, dia internacional da "dieta", do arrependimento e de principalmente escutar o mesmo discurso dos clientes/pacientes:

"- Nutri, estou com medo de subir na balança, tenho certeza que engordei porque exagerei no final de semana. Comi a sobremesa que a minha tia fez, a macarronada que a minha mãe preparou para o almoço de domingo..."


E ai me pergunto! Onde ficou o prazer em estar reunido à mesa com sua família, seus amigos, saboreando a receita de família preparada pela sua mãe, avó, tia? O que nossas crianças estão recebendo de referência sobre alimentação em família? Eu tenho tantas lembranças gostosas de refeições em família (você pode ler meu post anterior sobre a rosca de polvilho, e já contei que desde criança gostava de ver e ficar com a minha avó, e mãe na cozinha). 

Escutar esses discursos (DIARIAMENTE) carregados de culpa, "neuras", arrependimentos, medo de ter engordado, é frustrante como profissional. Esse excesso de "desinformação" nas mídias está afetando a saúde, principalmente a mental, das pessoas. Boa parte disso é por causa do momento que estamos vivendo, pelo bombardeio de "desinformações" expostas diariamente nas mídias sociais pelas blogueiras musas-fitness, revistas apelativas, pelos "lançamentos" frequentes de alimentos supostamente milagrosos para emagrecer, fórmulas mágicas...

Gostaria que você parece 2 minutos e  refletisse: 


- Você acredita que ao consumir um prato de macarronada todo seu "esforço" nos exercícios e sua rotina de alimentação saudável foram perdidos? 
- Você fica contando calorias a todo instante? 
- Quando você olha para uma refeição a primeira coisa que você pensa é "será que vou engordar?" 
- Você comeu uma fatia de bolo, ficou com a sensação de arrependimento, e também ficou com a sensação que não sentiu direito o gosto do bolo porque simplesmente comeu muito rápido....

Se você respondeu SIM alguma das perguntas acima, termine de ler esse post...




Sou formada há 7 anos, fiz uma especialização e vários cursos, não paro de estudar, sou curiosa e inquieta por natureza, não consigo me acomodar. Estou terminando um curso de coaching em nutrição, estou no início do curso de Gastronomia Funcional, leio pelo menos 2 livros por mês. Estou te contando tudo isso porque tenho me questionado (muito) sobre que tipo de profissional estou sendo para meus clientes, será que estou conseguindo dar o meu melhor? Porque me sinto tão frustrada quando tenho que fazer um plano alimentar pro meu paciente dizendo quantas colheres de arroz, qual alimento ele vai ter que comer tal dia da semana? Eu particularmente, amo poder escolher o que vou comer no dia. E acredito que você também não é?

Posso dizer que atualmente, estou engatinhando para um novo caminho de atendimento, o meu objetivo como nutricionista é auxiliar as pessoas a voltarem a sentir prazer em comer sem gerar a sensação de culpa, sem desenvolver uma compulsão alimentar. Quero que as pessoas melhorem a sua relação com o alimento, que tenham liberdade, que criem consciência, que adquiram  conhecimento para escolher os melhores alimentos, que dê mais atenção à saúde, ao bem-estar e escute os sinais do corpo.


E com um trecho do livro da nutricionista Sophie Deram, "O peso das dietas", fecho o meu desabafo:


- "Nós somos o dono do nosso corpo e da nossa fome. Precisamos retomar a nossa confiança, a confiança do nosso próprio corpo e resgatar uma consciência maior de como estamos nos sentindo e o diálogo com nosso corpo" 

- "O caminho para emagrecer de maneira suave e sustentável é um só. Retomando um dos prazeres mais importante da vida: o prazer de comer!"

Espero poder plantar muitas sementes de mudanças positivas na sua vida!




Abraço
Nutri Rafaela.

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